Esses dias eu tô lendo a compilação em livro do para Francisco e ando toda cheia de amor pra dar (ok, há controvérsias). Aí eu entro no ônibus e está lá um desses pagodeiros, Alexandre Pires' vibes: Deus é justo, mas minha calça jeans é mais, camisa mamãe-to-forte, corrente grossa de prata. Olho e cogito iniciar minha sessão nojinho, mas como estou com uma BOA ESPIRITUALIDADE (masque), bato os olhos na tatuagem gigante do dito cujo e tento procurar o lado bom da pessoa. É uma tarefa dificultosa, claro: o sujeito ocupou bem uns trinta centímetros do braço com um Luciene, naquela letra cursiva horrenda do Word. Lembro do livro da Cris Guerra, de amor, de delicadeza, de viver sendo leve, sorrir a cada dia e todas essas coisas que as pessoas de bom coração devem prezar e minha bipolaridade entra em ação por uma causa nobre. Aposto que ele não junta duas palavras certas pra escrever um bilhete carinhoso para a Luciene. Aposto que ele não manda uma música romântica por e-mail para a Luciene, porque acha que é coisa de veado. Aposto que ele não dança com a Luciene e não leva uma flor de surpresa pra Luciene na quarta-feira de noite depois do trabalho, mas, ai, ele tatuou o nome dela! Foi o jeito que ele achou de demonstrar seu amor por ela (a Luciene deve ser a namorada, esposa, né? Se fosse mãe ele tatuava Mamãe numa faixa em torno de um sagrado coração de Jesus, ele era o tipo capaz disso, era sim). É bonito, é bonito, sim. Bonito de um jeito meio homem das cavernas, mas enfim...
E enquanto eu dava vazão a todos os meus pensamentos elogiosos ao amor profundo do rapaz, eis que entra no ônibus uma morena com um puta par de peitos (não peitos de silicone, peitos DE VERDADE bonitos)
PAUSA
ok, a moça tinha uns peitos esplêndidos, mas tacou um puta sutiã branco com um vestido preto, decotado e de alcinha. É pedir a morte, né? Se eu fosse homem, todo o ki do meu pênis morreria ao detectar um sutiã branco com um vestido preto de alcinha (aliás, eu sou totalmente contra a existência de sutiã branco), mas, well, isso é só mais uma prova de que se eu fosse homem eu não seria menos gay do que Oscar Wilde.
FIM DA PAUSA
e o pagodeiro fixa os globos oculares no decote da garota, assim, na maior sem-vergonhice, sem a FINESSE de disfarçar que estava prestes a, sei lá, ter uma ereção em pleno transporte público às oito da manhã. Claro, límpido e óbvio que Luciene ganhou toda a minha solidariedade, que homem é tudo cachorro mesmo, deveriam ser presos e utilizados somente para fins reprodutivos, porque um mundo de amazonas seria a solução de todos os problemas e...
E ele virou de costas pra morena. Ai, gente, olha a volta da decência, se sentiu culpado, se sentiu sujo, começou a pensar na Luciene, daqui a pouco vai até sacar o celular pra mandar sms pra Luciene, certeza, olha só...
Tá lá, de novo, com os olhos enfiados no meio dos peitos da outra. Oh, o horror dos hormônios incontroláveis da masculinidade. Comecei a me valer da minha condescendência biológica para analisar o caso. Eu sou uma molenga, mesmo. Preciso de uma couraça moral mais eficiente.
Daí o cara desce do ônibus, meu transtorno de atenção me faz esquecer de tudo e só lembro de que ontem, aquele calor dantesco, tudo molhado, tudo úmido, um nojo, as pessoas que não têm a CONSIDERAÇÃO SOCIAL de usar desodorante, eu sentadinha comportadamente no banco do ônibus e eis que o fecho do meu sutiã abre misteriosamente. E não eram aqueles sutiãs gays que abrem na frente, era um seguro, das antigas, fecho atrás, daqueles que tem três fivelinhas e tudo. Embora meus peitos não cheguem nem perto da majestade dos da morena de hoje cedo, tenho certeza de que o acontecimento paranormal se deveu à força do pensamento de algum pagodeiro filho de uma puta.
E enquanto eu dava vazão a todos os meus pensamentos elogiosos ao amor profundo do rapaz, eis que entra no ônibus uma morena com um puta par de peitos (não peitos de silicone, peitos DE VERDADE bonitos)
PAUSA
ok, a moça tinha uns peitos esplêndidos, mas tacou um puta sutiã branco com um vestido preto, decotado e de alcinha. É pedir a morte, né? Se eu fosse homem, todo o ki do meu pênis morreria ao detectar um sutiã branco com um vestido preto de alcinha (aliás, eu sou totalmente contra a existência de sutiã branco), mas, well, isso é só mais uma prova de que se eu fosse homem eu não seria menos gay do que Oscar Wilde.
FIM DA PAUSA
e o pagodeiro fixa os globos oculares no decote da garota, assim, na maior sem-vergonhice, sem a FINESSE de disfarçar que estava prestes a, sei lá, ter uma ereção em pleno transporte público às oito da manhã. Claro, límpido e óbvio que Luciene ganhou toda a minha solidariedade, que homem é tudo cachorro mesmo, deveriam ser presos e utilizados somente para fins reprodutivos, porque um mundo de amazonas seria a solução de todos os problemas e...
E ele virou de costas pra morena. Ai, gente, olha a volta da decência, se sentiu culpado, se sentiu sujo, começou a pensar na Luciene, daqui a pouco vai até sacar o celular pra mandar sms pra Luciene, certeza, olha só...
Tá lá, de novo, com os olhos enfiados no meio dos peitos da outra. Oh, o horror dos hormônios incontroláveis da masculinidade. Comecei a me valer da minha condescendência biológica para analisar o caso. Eu sou uma molenga, mesmo. Preciso de uma couraça moral mais eficiente.
Daí o cara desce do ônibus, meu transtorno de atenção me faz esquecer de tudo e só lembro de que ontem, aquele calor dantesco, tudo molhado, tudo úmido, um nojo, as pessoas que não têm a CONSIDERAÇÃO SOCIAL de usar desodorante, eu sentadinha comportadamente no banco do ônibus e eis que o fecho do meu sutiã abre misteriosamente. E não eram aqueles sutiãs gays que abrem na frente, era um seguro, das antigas, fecho atrás, daqueles que tem três fivelinhas e tudo. Embora meus peitos não cheguem nem perto da majestade dos da morena de hoje cedo, tenho certeza de que o acontecimento paranormal se deveu à força do pensamento de algum pagodeiro filho de uma puta.
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