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Shibboleth
19 November 2009 @ 10:39 am
Esses dias eu tô lendo a compilação em livro do para Francisco e ando toda cheia de amor pra dar (ok, há controvérsias). Aí eu entro no ônibus e está lá um desses pagodeiros, Alexandre Pires' vibes: Deus é justo, mas minha calça jeans é mais, camisa mamãe-to-forte, corrente grossa de prata. Olho e cogito iniciar minha sessão nojinho, mas como estou com uma BOA ESPIRITUALIDADE (masque), bato os olhos na tatuagem gigante do dito cujo e tento procurar o lado bom da pessoa. É uma tarefa dificultosa, claro: o sujeito ocupou bem uns trinta centímetros do braço com um Luciene, naquela letra cursiva horrenda do Word. Lembro do livro da Cris Guerra, de amor, de delicadeza, de viver sendo leve, sorrir a cada dia e todas essas coisas que as pessoas de bom coração devem prezar e minha bipolaridade entra em ação por uma causa nobre. Aposto que ele não junta duas palavras certas pra escrever um bilhete carinhoso para a Luciene. Aposto que ele não manda uma música romântica por e-mail para a Luciene, porque acha que é coisa de veado. Aposto que ele não dança com a Luciene e não leva uma flor de surpresa pra Luciene na quarta-feira de noite depois do trabalho, mas, ai, ele tatuou o nome dela! Foi o jeito que ele achou de demonstrar seu amor por ela (a Luciene deve ser a namorada, esposa, né? Se fosse mãe ele tatuava Mamãe numa faixa em torno de um sagrado coração de Jesus, ele era o tipo capaz disso, era sim). É bonito, é bonito, sim. Bonito de um jeito meio homem das cavernas, mas enfim...

E enquanto eu dava vazão a todos os meus pensamentos elogiosos ao amor profundo do rapaz, eis que entra no ônibus uma morena com um puta par de peitos (não peitos de silicone, peitos DE VERDADE bonitos)

PAUSA

ok, a moça tinha uns peitos esplêndidos, mas tacou um puta sutiã branco com um vestido preto, decotado e de alcinha. É pedir a morte, né? Se eu fosse homem, todo o ki do meu pênis morreria ao detectar um sutiã branco com um vestido preto de alcinha (aliás, eu sou totalmente contra a existência de sutiã branco), mas, well, isso é só mais uma prova de que se eu fosse homem eu não seria menos gay do que Oscar Wilde.

FIM DA PAUSA

e o pagodeiro fixa os globos oculares no decote da garota, assim, na maior sem-vergonhice, sem a FINESSE de disfarçar que estava prestes a, sei lá, ter uma ereção em pleno transporte público às oito da manhã. Claro, límpido e óbvio que Luciene ganhou toda a minha solidariedade, que homem é tudo cachorro mesmo, deveriam ser presos e utilizados somente para fins reprodutivos, porque um mundo de amazonas seria a solução de todos os problemas e...

E ele virou de costas pra morena. Ai, gente, olha a volta da decência, se sentiu culpado, se sentiu sujo, começou a pensar na Luciene, daqui a pouco vai até sacar o celular pra mandar sms pra Luciene, certeza, olha só...

Tá lá, de novo, com os olhos enfiados no meio dos peitos da outra. Oh, o horror dos hormônios incontroláveis da masculinidade. Comecei a me valer da minha condescendência biológica para analisar o caso. Eu sou uma molenga, mesmo. Preciso de uma couraça moral mais eficiente.

Daí o cara desce do ônibus, meu transtorno de atenção me faz esquecer de tudo e só lembro de que ontem, aquele calor dantesco, tudo molhado, tudo úmido, um nojo, as pessoas que não têm a CONSIDERAÇÃO SOCIAL de usar desodorante, eu sentadinha comportadamente no banco do ônibus e eis que o fecho do meu sutiã abre misteriosamente. E não eram aqueles sutiãs gays que abrem na frente, era um seguro, das antigas, fecho atrás, daqueles que tem três fivelinhas e tudo. Embora meus peitos não cheguem nem perto da majestade dos da morena de hoje cedo, tenho certeza de que o acontecimento paranormal se deveu à força do pensamento de algum pagodeiro filho de uma puta.
 
 
Hoje eu estou: bitchy
Ouvindo: No pain for the dead - Angra
 
 
Shibboleth
17 November 2009 @ 08:55 am
 
 
Hoje eu estou: busy
Ouvindo: Lover, you should've come over - Jeff Buckley
 
 
Shibboleth
16 November 2009 @ 05:12 pm
Daí que tem o Shu, a criatura mais escrota que a internet já me deu o desprazer de conhecer. O filho da puta é genial e quase me mata de tanto rir, então decidi que a pérola da conversa de hoje deveria ser compartilhada com as parcas pessoas que lêem essa porcaria aqui. Vamos à conversa e, por favor, tentem absorver toda a sabedoria milenar contida nela.

Estávamos falando sobre so gibis da Mônica (pois é), mais precisamente sobre as idéias bizarras que aqueles roteiristas têm quando querem colocar o nome de alguém famoso nas historinhas. Shu me dizia que havia reparado, em certa edição, que o Cebolinha lia um volume denominado Vó Verini, com uma velhinha munida de garras de adamantium na capa. Eu retruquei que essas adaptações bizarras já nem me doíam no coração, mas em outra parte da anatomia que não cabe a uma mocinha citar aqui neste horário, e eis que o Shu me vem com o seguinte relato:

Shu says:
se você falasse
dói como um peteleco na bola direita
eu entenderia
nunca acorde alguém assim
nem que seja de "brincadeirinha"
nem que seja de vingança
nunca acorde alguém com petelecos na bola direita
NUNCA
N. says:
O.o
QUEM TE DEU UM PETELECO NA BOLA DIREITA?
e na esquerda, pode?
Shu says:
vamos explicar de uma forma que você compreenda
você conhece alguém que tome remédios de tarja preta?
N. says:
sim, conheço
Shu says:
então
você conhece alguém que tome tarja preta e seja uma loira natural de olhos azuis
com 1.81
silicone a dar com pau
e com um complexo de carência afetivo absurdo?
eu conheço
e fiquei muito impressionado
ao saber que ela era esquizofrênica
ela me acordou com um peteleco no saco
e me disse que acordou no meio da madrugada
e ficou escutando vozes
como se fosse eu falando por telepatia com ela
dizendo que eu era um alienígena e estava pensando em fazer experiências com ela
mas não ia mais porque ela era muito legal
aí ela disse que me acordou quando parou de escutar as vozes
e disse que achava que acordar daquele jeito seria uma coisa mais sutil
que não me assustaria muito
agora imagina se ela tivesse ouvido que eu era um demônio
e ia arrancar a cabeça dela
como eu acordaria
ou não
desde então eu procuro saber o histórico médico de alguém antes de tentar enfiar alguma parte da minha anatomia dentro deste alguém
a lição disto tudo, Bolete
é que mesmo que a mulher que você esteja comendo
N. says:
HUHUHUHUHAEUHEUAEAAHAEUHEUAEAAHAEUHEUAEAAHAEUHEUAEEUHEUAEAAHAEUHEUAEAAHAEUHEUAAHAEU
Shu says:
seja mais gostosa do que as 20 mulheres anteriores juntas
ela não vale a pena
se ela quiser cortar suas bolas

Achei que era uma lição digna, meninas. Não acordem os caras com petelecos na bola direita. Na esquerda está liberado.
 
 
Hoje eu estou: crappy
Ouvindo: Ooh - Scissor Sisters
 
 
Shibboleth
16 November 2009 @ 04:52 pm
Ó, nem vou mentir, hein? A vontade é me enrolar no meu edredon, deitar numa cama, pegar um livrinho e não sair da hibernação por um mês inteiro, porque ô vidinha de merda. Mas a verdade é que o loser way of life ai meldez como eu sofro nessa existência já me ofereceu todas as possibilidades que dele poderiam advir e eu já enjoei dessa vibe de síndrome de Peter Pan. Chega de adolescência tardia e chega de culpar os outros por ela. Porque é um raciocínio bem simples: se ela está aqui, eu sei que ela está e ela me incomoda, a única e exclusiva culpada pela manutenção da dita cuja sou eu. So, vamos entrar na fase de digievolução (ei, deixar de usar referências nerds não faz parte do meu processo de amadurecimento, sorry) que eu estou precisando de uma operação vida reloaded com urgência. Quer conspirar contra mim, Universo? Go, go. Eu é que não vou mais me enfiar debaixo das cobertas por causa disso. Minha vida não é pior que a de todas as outras pessoas do mundo, então desempenhar esse papel não faz o menor sentido e tem se tornado cada vez mais ridículo. Quem me conhece sabe que já passou da hora de eu me dar uns tapas na minha própria cara. Além disso, já que é pra cair nesse artifício retardado do Universo conspirar, temos que levar em consideração que ele não conspira só contra e eu sou uma pessoa extremamente paciente.

---

Tchau, fase de mimimi eterno, que você já me encheu - e encheu todos à minha volta - até as tampas. Humor amargo, que saudades de você!

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Eu escrevi uns dois ou três posts pro blog nesse tempo de sumiço. Uns posts grandes, densos, cheios de sangue, lágrimas, rancor, raiva, piche, enxofre e todas essas coisas feias. Então nem vale a pena postar, porque, convenhamos, quem merecia ouvir minha catarse meteu o rabo no meio das pernas e se enfiou debaixo da cama, então eu não vou nem me dar ao trabalho. Consideração é uma coisa linda, pena que nem todo mundo tenha/mereça. NO ENTANTO, um desses posts eu queria muito aproveitar porque, apesar dos pesares, da dor-de-cotovelo e das propensas idéias que poderia suscitar nos supracitados ("ah, porque você vai desenvolver eu sentimento obsessivo por mim". Eu? EU e sentimento obsessivo na mesma linha? Cê não tá confundindo o interlocutor, não, ô amigo? Eu posso te apontar quem é que tem um sentimento obsessivo pela vossa senhoria, posso sim), acabou ficando muito engraçado, embora seja a coisa mais pau-no-cu que eu já escrevi em toda a minha vida. Me adoro quando sou sincera. Os envolvidos é que talvez não gostem muito de ler. Aliás, um dos envolvidos é analfabeto funcional, então meus temores-not de quebrar corações já vão decrescendo e me dando coragem pra fazer a tal postagem. Aguardem-not.

---

Fox Mulder feelings. So hard.

---


Whatever happens, I'll leave it all to chance.
Another heartache - another failed romance.
On and on...
Does anybody know what we are living for?
I guess i'm learning
I must be warmer now...
I'll soon be turning, round the corner now.
Outside the dawn is breaking,
But inside in the dark I'm aching to be free!

The Show must go on!
The Show must go on! Yeah,yeah!
Ooh! Inside my heart is breaking!
My make-up may be flaking
But my smile still stays on...

---

And that's all, folks. Pronto, pronto. Passou, passou.


 
 
Hoje eu estou: awake
Ouvindo: The show must go on - Queen
 
 
Shibboleth
25 October 2009 @ 11:10 pm
air and light and time and space

 
"–you know, I’ve either had a family, a job,
something has always been in the
way
but now
I’ve sold my house, I’ve found this
place, a large studio, you should see the space and
the light.
for the first time in my life I’m going to have
a place and the time to
create."

no baby, if you’re going to create
you’re going to create whether you work
16 hours a day in a coal mine
or
you’re going to create in a small room with 3 children
while you’re on
welfare,
you’re going to create with part of your mind and your body blown
away,
you’re going to create blind
crippled
demented,
you’re going to create with a cat crawling up your
back while
the whole city trembles in earthquake, bombardment,
flood and fire.

baby, air and light and time and space
have nothing to do with it
and don’t create anything
except maybe a longer life to find
new excuses
for.
 

© Charles Bukowski, Black Sparrow Press



 
 
Hoje eu estou: cold
Ouvindo: Who wants to live forever? - Queen
 
 
Shibboleth
16 October 2009 @ 11:25 am
Blá, blá, blá, a série Harry Potter não são meus livros favoritos no mundo todo, blá, blá, blá, marcou minha adolescência, blá, blá, blá, gosto sim, e daí? A arte de fazer uma introdução sucinta.

Luna Lovegood está no meu top dez de personagens favoritos da série, mas definitivamente não num top três (a saber: Severus Snape, Sirius Black e Lucius Malfoy -- alguém faça o favor de me matar). Mas se alguém me perguntasse que personagem de HP eu gostaria de ser, temo (temo) que a resposta seria merda... oh, merda, mas eu queria ser a Luna. Talvez a moto do Sirius desequilibrasse um pouco essa disputa, mas, enfim vocês me entenderam.

A Luna é total e completamente pirada. O tipo de pessoa que conseguiria te deixar com uma expressão de WTF no rosto por horas, dias, meses. A Luna diz exatamente o que pensa, sem muito peso nem medida, mas de maneira tão weirdo/engraçadinha que você simplesmente não consegue achá-la totalmente retardada mental. Porque o que ela diz, lá, do jeito dela, costuma fazer sentido. E quase sempre tem um peso enorme. E não, ela não passou horas analisando o discurso, imaginando como soaria ou qualquer coisa do gênero. Ela só diz. Ela é ela, goste você ou não. E se você não gostar, ela vai entender e ter uma explicação completamente lógica para isso.

Sempre que eu estou diante de uma situação nova, de uma pessoa desconhecida, de algo que eu quero que dê certo, eu fico meio que desejando me portar mais ou menos como a Luna. E é claro que eu nego isso pra mim mesma até o fundo da alma, porque, né, é a Luna, e a Luna é uma sem-noção. É óbvio, também, que me lembrar dela nessas horas e tentar fazer as coisas daquele jeito amor nunca dá certo, porque eu simplesmente não me dou ao trabalho de ir longe o suficiente. Soaria ridículo e não é como se a minha dignidade precisasse de mais golpes do que os que ela já leva.

O ponto é que sempre me chamou atenção na Luna a maneira como ela consegue ver dentro das pessoas, a forma como ela entende coisas que nunca foram ditas e o talento dela para não ter vergonha de coisa alguma. Além disso, ela é uma pessoa leve, etérea, daquelas que levam dentro de si mais coisas do que se poderia imaginar e o cabelo dela é lindo, gente.

Quanto a mim? Não vejo porra nenhuma dentro de ninguém, entender o que não foi dito não é comigo mesmo, eu vou pensar setecentas e noventa e cinco vezes antes de falar e, ainda assim, vou falar merda. Leveza nenhuma. Tenho os pés chumbados no chão e é bem possível que eu tenha dentro de mim muito, mas muito menos do que eu pensava que tinha.



Tenho me sentido estranhamente bonita esses dias. Os mesmos dias em que eu estou na vibe cinco piores pessoa do mundo, eu, Stalin, Hitler, Pol Pot e pode escolher seu ditador africano favorito. A minha vida não opera com ironia, mas com sarcasmo menckenriano.

 
 
Hoje eu estou: confused
Ouvindo: land of a thousand words - scissor sisters (porque eu ando merecendo gay music)
 
 
Shibboleth
# Então era assim que eu ia me sentir? Suspeitei desde o princípio. No final das contas, as palavras que melhor me descrevem são dissimulação e eufemismo. Ultimamente eu tenho tentado calcular quanto disso é bom e quanto é ruim.

#  A falta de reação não me incomodou nada em todos esses anos, mas daqui pra frente vai ser estranho lidar com isso.  A lista de coisas com as quais eu não consigo lidar tem diminuído consideravelmente, nos últimos tempos. Mas os itens que ainda não foram riscados dela me incomodam profundamente.

#
Eu não gosto de beber. Sério, a sensação de estar altinha não me atrai nenhum pouco. Fico chateada quando as pessoas se mostram pessoalmente ofendidas com o fato de eu não beber. Sério, eu reclamo, sei lá, da sua bolsa de vinil laranja? Ela me fere os olhos, mas eu sinceramente não vou me dar ao trabalho de me estressar com seu mau gosto inenarrável. Então preciso que me façam o favor de me deixarem em paz enquanto eu acho bebida alcoólica um item amplamente desnecessário. Já dizia a Dri, Rivotril com suco de laranja funciona igualzinho. Não, eu não tomo Rivotril, just for the records, hahaha...

#  Você sabe que é absolutamente inestimável, né? Porque se não souber eu vou precisar enfiar a mão no meio da sua cara. Delicadeza is overrated. Amores grosseiros são o que há. -not.

#  A coisa mais bonitinha do mundo é você tentando me animar no msn com aquele seu jeito torto e desajeitado, sem saber o que dizer ou que assunto puxar. Coisa mais fofa. Muito, muito, muito obrigada, precisamos marcar uma conversa de áudio semanal, pra falar horrores de Deus e o mundo, my whore for this cold world

#  Ver tudo o que aconteceu com você como um espelho de tudo o que acontecerá comigo é assustador. Mas há um certo alento nisso, porque, no fim das contas, é você.

#  "Não sinto mais vontade de publicar minhas verdades por aí como se elas fossem algo mais do que as minhas verdades ou como se fossem mudar alguma coisa ou alguém. As coisas e pessoas mudam quando estão prontas para isso. Minha adolescência (mental e física) acabou. Acho que agora vou optar a voltar a ser criança e me deixar encantar por coisas pequenas, como essa última borboleta de verão pousada na minha janela. E que voou antes que eu conseguisse pegar a câmera para registrá-la.

Ela também sabe que tem pouco tempo pela frente (as noites de outono cada vez mais frias). E que as coisas realmente importantes não conseguem e nem precisam ser registradas, explicadas, analisadas, esmiuçadas, criticadas ou consertadas. Vivê-las, ainda de que forma imperfeita, basta.

Eu vou tentar."
(Via Hello, Lolla)
 
Shoreilitruz.

 
 
Hoje eu estou: apathetic
Ouvindo: Wake Up - Arcade Fire
 
 
Shibboleth
11 October 2009 @ 01:55 pm
Nós dois sabíamos que era um caminho sem volta e, por isso mesmo, decidimos que íamos percorrê-lo até o final. Não fazia o menor sentido, mas depois de todos esses anos, era o mínimo a que tínhamos direito. Precisávamos resolver todos os infames assuntos inacabados, precisávamos nos olhar de novo, precisávamos ouvir as vozes um do outro, sorrir um para o outro, nos abraçar mais uma vez.

Nós sabíamos que chegaria uma hora em que teríamos que dizer adeus e sabíamos exatamente como seria duro, triste e desesperador. Mas isso não nos preparou. Não preparou a mim, pelo menos, porque a sensação, agora, é a de que vou morrer de algo que não tem cura. Mas eu disse que ia seguir em frente, que ia ficar bem e vou cumprir as minhas promessas. Espero que você cumpra as suas, também.

Vai melhorar. Não vai doer tanto e eu só vou chorar de soluçar de tempos em tempos. As lágrimas se tornarão mais espaçadas, virão à noite, no travesseiro, silenciosas, apenas para me lembrar de que toda a dor valeu a pena. De que tudo valeu a pena. Não é todo mundo que pode dizer que chora quando se lembra da cena final porque ela foi o momento mais bonito da sua vida: nós estávamos abraçados, estávamos cantando um para o outro e nada mais importava no mundo lá fora, embora o sino da catedral badalasse, espelhos se quebrassem e coisas caíssem no chão (eram eles te avisando de que você tinha que ir, certo?).

Eu não me arrependo. De nada. Eu tinha duas razões para viver. Agora eu tenho uma e um enorme vazio. Que permanecerá vazio até o dia em que você possa cumprir as coisas que não sabia se podia prometer. E se você não puder mais voltar, dentro desse vazio estarão todas as lembranças que eu tenho de você, pois eu preciso delas para continuar vivendo.

Eu precisava dessa dor para entender um pedacinho daquilo que você nunca pôde me explicar e que eu nunca vou poder conhecer. Eu precisava dessa dor para que aquilo que eu quero fazer daqui por diante tenha verdade. É estranho, mas eu gostaria de agradecer a você por isso e nunca vou conseguir colocar em palavras.

Eu vou pintar todos os quadros de todos os anos da sua vida. Com letras. Until the very end.



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Hoje eu estou: exhausted
Ouvindo: Mapas do Acaso - Engenheiros do Hawaii
 
 
Shibboleth
05 October 2009 @ 05:42 pm
"Ah, eu vou confessar uma coisa pra vocês. Lembram daquele seriado da Globo, Maysa? Que na abertura apareciam só os olhos dela? Então, quando eu estou no carro cantando Maysa, eu olho pro retrovisor num ângulo que fica aparecendo só os meus olhos e aí eu finjo que sou ela. Gente, nunca tinha contado isso pra ninguém!"

*explosão de risos no escritório*


Esse lugar é horroroso, nosso chefe é uma úlcera, mas eu preciso dizer que ouvir coisas como essas de pessoas que nem o Zé fazem essa porra valer a pena

 
 
Hoje eu estou: grateful
Ouvindo: Wake Up - Arcade Fire
 
 
Shibboleth
05 October 2009 @ 02:27 am
Estava lendo o Alexandre Soares Silva e comentando com um amigo que uma das minhas falhas de caráter é tender a gostar de pessoas pedantes, desde que elas sejam engraçadas. Não engraçadas do gênero Jesus, se a arte de ganhar dinheiro com humor involuntário fosse uma constante, aquele fulaninho poderia ganhar milhões explorando o potencial de asneira de sua existência como um todo (admitam, toda pessoa de bem pensa algo do gênero pelo menos três vezes por dia; as pessoas que não são de bem, feito eu, repetem a reflexão acerca do problema umas trinta e oito vezes só dentro do expediente do trabalho). Falo de pessoas hilárias, com o dom de escrever coisas como

O que fiquei me perguntando foi, por que ninguém me disse antes o quão ridículo era o Manifesto Concretista? O quão completamente imbecil e retardado, quase de um jeito clínico mesmo? Porque só um blog diz isso? As pessoas em 1956 não riam de frases como "viver e vivificar a sua facticidade", "situar-se de frente para as coisas, aberta, em posição", ou ainda "propriedades psicofisicoquímicas tacto antenas circulação coraação: viva"? ("Viva" indeed, seu mocorongo.) Ninguém dizia pfui? Não sei exatamente como o movimento concretista foi recebido pelos críticos da época (de frente para as coisas? aberta, em posição?), e peguei da estante o segundo volume do "A Crítica Literária no Brasil" de Wilson Martins pra pesquisar isso, mas tendo em vista minha falta de respeito pelas pessoas envolvidas, incluindo Wilson Martins, senti preguiça. Meu palpite é que se algum crítico de jornal falou mal do manifesto na época, falou mal por motivos imbecis, porque neste mundo é perfeitamente possível atacar coisas imbecis por motivos imbecis, de um jeito imbecil. Talvez não fosse marxista o suficiente, ou algo assim*. Mas então, se eu estou certo, por que foi preciso esperar por um blog de 2008 para ver isso? Não havia pessoas, talvez fora dos jornais, fazendo cara feia enquanto liam o Manifesto, pegando o jornal com a ponta dos dedos, etc? Mas agora lê o post.


Os detentores de todo o meu amor são os pedantes que me fazem ir às lágrimas de tanto rir dos outros (ou de mim mesma, por que não?), não os que me fazem rir deles mesmos. Ser imbecil não é uma arte: se eu te peço para enumerar os três maiores escritores de todos os tempos, você vai demorar uns cinco minutos para me responder, se tiver juízo. Se eu pergunto quais são os três maiores imbecis que você conhece, uma lista de vinte e oito nomes vai sair da sua boca antes que você se dê conta. E se a lista não for verbalizada, sei que ela estará ali na sua cabeça e você só não responde de imediato porque mamãe fez um bom trabalho com sua polidez digna da nobreza ou porque meu nome está em caracteres de neon em fonte 78 negritada no topo da sua enumeração de energúmenos. E eu não te culpo, meu caro, não culpo mesmo, eu também estou na minha lista.

Ser pedante é uma arte das mais complexas e sutis: nunca se deve ser completamente condescendente, mas a impiedade total também não é permitida, senão você passa de pedante gracioso a chato trivial. Você não deve reclamar de tudo e de todos, apenas daquilo que tiver relevância suficiente para merecer um comentário seu. Um sujeito pedante precisa de um motivo com um mínimo de interesse para se dar ao trabalho de erguer os olhos de sua estudada pose blasé no intuito de formular o que quer que seja. E não bastando tudo isso, precisa formular de forma que soe com todos os setenta por cento de nojeira gratuita, mas sem esquecer dos trinta por cento de verdade que façam com que alguém diga ok, vou pro inferno, mas já pensei isso também.

O ponto é que eu tento me sentir mal lendo esse tipo de coisa, tento pensar que escrever, falar, pensar coisas desse tipo não levará a humanidade a um equilíbrio em que todos sejamos irmãos e possamos cantar Imagine de mãos dadas, sorrindo, num campo florido. Mas não dá. Não dá porque quando a gente for dar as mãos vai ter uma menina usando calça saruel, vai ter aquele sujeito gay que teve a adolescência indelevelmente marcada pelo término de Dawnson's Creek, vai ter aquela tia que chora e soluça toda vez que toca Amigos para sempre na Radio Difusora; não dá porque o Paulo Ricardo já gravou Imagine pra passar na abertura da novela da Sandy (como se ter se travestido de São Sebastião não fosse humilhação suficiente para umas cinco vidas longas); não dá porque você não se sentiria feliz, se sentiria ridículo bancando o hippie pouco higienizado; não dá porque sempre tem um sujeito que tem alergia a pólen e seus espirros estragariam totalmente o coral. Não dá porque seria fake chamar o Scorcese pra dirigir a grande confraternização de raças e credos do juízo final, mas sem ele aquilo ia virar uma zona. Sem ele, seria caso de precisar chamar o Tarantino pra fazer as tomadas.

Não, gente, pelo amor de Deus. Ser uma pessoa boa dá trabalho demais. Estresse constante. Ser nojento, antipático, intragável e arrogante exige cálculos, sangue, suor e lágrimas, mas a gente nem percebe. Porque é divertido horrores.




O genial é a desmentida forte que esse post dá nos tons de humildade do anterior. Reflitam sobre a minha bipolaridade complexidade emocional.


 
 
Hoje eu estou: cynical
Ouvindo: Will You Help Me? - the village ost
 
 
Shibboleth
Toda vez que eu entro nesse blog e passo os olhos por cima das minhas postagens recentes, estranho o tom intimista e os temas vagos. Existem pessoas nos blogs ali, à direita, que se saem muito bem com essa história de escrever sobre o etéreo, o fugaz, o eterno, o universal em um post de menos de trinta linhas. Os textos dessas pessoas me soam como música intrumental do extremo oriente: calma, pausada, forte na suavidade, densa na leveza e, a um só tempo, minimalista e repleta de todas as coisas que há no mundo.

Eu gostaria de escrever assim, mas acho que não posso. Às vezes eu sinto que acabei de depreender todo um universo de dentro da menor das coisas, mas não consigo colocar isso em palavras. De vez em quando me acontecem uns insights em que eu faço descobertas bonitas, assustadoras ou engraçadas sobre pessoas que me são caras e eu não consigo dizer isso a elas; me vejo dizendo, sei como dizer, antevejo os sorrisos de resposta, os olhares cúmplices, as expressões culpadas, mas eu quase nunca digo a elas o que eu vi, geralmente por achar que eu não estou certa ou por ter medo demais de estar. Talvez uma mistura das duas coisas. Há dias em que dá pra ver o mundo girar, há momentos em que eu me sinto capaz de entender boa parte das coisas, mas eu preciso confessar que costumo fechar os olhos. No dia em que eu começar com isso, de verdade, sei que vou ser ainda mais escrava do ato de escrever e eu ainda não estou preparada para isso. O que eu escrevo ainda não vale a pena, ainda me faltam vários estágios.

Inclusive o de parar de escrever coisas pretensiosas como os parágrafos acima.



 
 
Hoje eu estou: calm
Ouvindo: A small measure of peace - The last samurai OST
 
 
Shibboleth
04 October 2009 @ 10:04 pm

Take your aesthete's; taste purer things; kill them swiftly, if you will, but do it. For do not doubt: you are a killer, Louis!




 
 
Hoje eu estou: calm
Ouvindo: The Way of the Sword - The last samurai OST
 
 
Shibboleth
28 September 2009 @ 02:18 am

O que dói não é o que está acontecendo, não é o romper, não é a tortura de ter que caminhar sobre um fucking enredo pré-estabelecido do qual eu não conheço uma linha, não é ter que fingir que está tudo bem.

O que dói é saber que está acontecendo e não entender. O que dói é saber que pior do que ser ignorante ou saber de todas as coisas é ficar nesse meio termo desgraçado. O que dói é saber que tudo o que há pra fazer é respirar, secar o rosto e fingir que não está acontecendo nada.

Quando você simplesmente tem medo de olhar pra dentro de você de novo pra ver o tamanho do estrago. Quando você tem medo de olhar, ver o estrago e simplesmente não dar a mínima para ele.

It's pretty sad if you ask me
I don't think I will be
Around to see your face again


 
 
Hoje eu estou: sad
Ouvindo: Dig - Incubus
 
 
Shibboleth
27 September 2009 @ 11:08 pm
maymaymay diz:
amiga
sorria
você é jovem, bonita, inteligente
seja qual for o problema
não pode ser tão grande assim
(L)


Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire diz:
mas sabe, may
tem dias em que a gente acorda velha, feia e burra
muito, mas muito burra, mesmo

maymaymay diz:
mas são só dias
e dias passam


Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire diz:

estou precisando que eles passem todos de vez, e muito rápido

É. De vez em quando dá pra entender tudo, mesmo quando não se está entendendo nada.

 
 
Hoje eu estou: cold
Ouvindo: I don't feel like dancing - Scissor sisters
 
 
Shibboleth
14 September 2009 @ 11:19 pm


Post scriptum:
não, não estou falando de trepar loucamente com o Willem Dafoe nas raízes de uma árvore cheia de braços e depois prender um torno de esmeril de vinte quilos na perna dele.




 
 
Hoje eu estou: artistic
Ouvindo: Orange Sky - Alexi Murdoch
 
 
Shibboleth
01 September 2009 @ 05:55 pm
Na metade da segunda série do fundamental, eu me mudei de cidade e minha nova escola ficava no alto de uma ladeira semi-vertical. Uma boa sacada dos educadores, aliás: os alunos que não iam de carro já chegavam lá mortos e não davam trabalho nenhum, ocupados demais em tentar recuperar o oxigênio do sangue.

Eu só me lembro de duas meninas dessa escola: uma, porque ela tinha uns quatorze anos e metia medo em todos os alunos da sala. Certa vez, a moça resolveu fazer umas subtrações marotas na minha primorosa coleção de lápis grafite sabiam que em Minas não se diz lápis grafite e sim lápis de escrever? Oi, pleonasmo. No nordeste, é lápis de pau. Oi, pornografia de todas as cores e modelos. Eu e minha pau-no-cuzisse infantil não hesitamos nem um segundo: falei em alto e bom tom que em vez de ficar roubando as coisas dos pequenos, ela deveria ir estudar pra passar de ano e sair do meio das crianças de nove anos, porque era uma vergonha. Ser cruel, às vezes, é necessário, embora nem sempre te mantenha os dentes presos às gengivas: a menina cresceu (como se já não fosse grande o suficiente) pra cima de mim e ia me encher de porrada se a professora não tivesse aparecido. Mas no dia seguinte ela não estava mais matriculada na escola e meus lápis foram devolvidos na diretoria. Obrigada, sofistas. Não fosse a retórica, minha vida teria sido ainda mais fodida.

Sábado meus vizinhos estavam me ofertando putz putz ruim num volume obsceno para as oito da manhã. Malditas paredes finas, morram em dor todos os mestres-de-obra responsáveis por elas. Mas a música de rave parou e começou a tocar Skank. Daí lembrei que aos oito, nove anos, eu gostava de Skank pra caralho, achava aquilo o suprassumo da música brasileira, para total e completo desespero do meu progenitor. Então tocou Garota Nacional e na hora a lembrança da Natalie, a outra menina da segunda série de quem eu me lembro, me veio à mente.

O nome dela não se pronunciava na forma inglesa, mas com a tônica no final. E a Natalie era bonita. Mas muito bonita, mesmo. Não parecia uma menina de nove anos, mas uma mulher de vinte. Era alta, magra, tinha o cabelo liso e cheio, de um castanho-avermelhado, cortado chanel. Os olhos dela eram grandes a pareciam sempre cheios de lágrimas, o que aumentava ainda mais a beleza. Quando você conversava com a Natalie, sabia que, mais que te olhando, ela estava te enxergando. Ela realmente prestava atenção em tudo o que era dito, estava se interessando, estava sendo sua amiga. Ter sido amiga da Natalie foi me confrontar pela primeira vez com o que os psicólogos gostam de chamar de inteligência emocional.


E todo mundo achava a Natalie burra, porque ela não tinha lá o melhor desempenho acadêmico da sala. E, nossa, eu me lembro de querer passar com um rolo compressor em cima do povinho que ria dos erros ortográficos e afins que ela cometia, porque a menina era, de longe, a pessoa mais inteligente que havia dentro daquela fucking sala de segunda série.

No último dia de aula, teve uma daquelas festinhas em que cada um leva um pratinho e ligam os auto-falantes do pátio com música. Me lembro muito claramente de eu e a Natalie dançando Garota Nacional loucamente, como se o mundo fosse acabar. Daí acabou a farra e fomos receber os envelopes com as nossas provas finais. Coitada da Natalie. Foi ela abrir, ver as notas e desabar.  Ela chorava e soluçava, murmurando que ia levar uma surra com a tomada da televisão quando chegasse em casa, que o pai e a mãe dela iam marcá-la toda, de novo. A levei até o banheiro pra ela lavar o rosto e ela levantou a blusa e me mostrou as costas cheias de vergões escuros. Não de uns tapas que se dá numa criança de nove anos de idade que tira notas ruins, mas de uma surra que devia ter demandado ódio de quem se ocupou de dá-la.

Eu quis ir contar pra professora. Disse que ela ia chamar a polícia. Disse que ela até podia morar na minha casa, se precisasse. Lembro dela rindo e balançando a cabeça. Ela, como eu disse, não tinha nove anos, tinha uns vinte. Essa é última lembrança que eu tenho da Natalie, o rosto vermelho e inchado de chorar,  rindo, balançando a cabeça e me fazendo prometer que ia ficar quieta, porque senão ela ia apanhar mais ainda.

Eu fiquei quieta. Era fim de ano. Eu fui embora, me mudei de bairro e nunca mais vi a Natalie. Por que será que eu me lembro com tanta clareza dela? Talvez eu não devesse ter ficado quieta. Ela era linda, tinha aqueles olhos que viam de verdade; quero acreditar que alguém ia cuidar dela. Quero acreditar que alguém fez isso.

Espero que seja lá o que tenha acontecido, ela tenha continuado a saber ver as pessoas por dentro e que isso a tenha ajudado. E que ela tenha ficado ainda mais bonita. Em tudo.

 
 
Hoje eu estou: lethargic
Ouvindo: Orange Sky - Alexi Murdoch
 
 
Shibboleth
31 August 2009 @ 12:35 am
# Eu fui ficar falando do sonho e acabei sonhando-o de novo. Fuck. Eu me sinto realmente maluca sonhando com uma coisa dessas e mais ainda quando eu penso que é algo recorrente e que já deve ter passado da décima vez que isso acontece. Tenho que escrever logo o conto. Gosto de pensar que, quando eu fizer isso, o sonho vai parar de se repetir.

# Sorte de hoje: Viver amanhã é muito tarde. Viva hoje ~ eu sei, orkut, eu sei; deixa de ser pau no cu, que eu sei.

# Não peçam para que eu não me sinta culpada. Não dá. Vocês podem até dizer que ia acontecer mais cedo ou mais tarde, mas isso não muda o fato de que, no final das contas, aconteceu comigo.

# Hoje eu visitei e comentei todos os blogs de todas as pessoas que acho lindas. Estou me sentindo muito bem por isso e deveria fazê-lo todos os dias, mas sei que nem vou. Desculpem. Tem vezes em que eu entro, leio, roubo todas as palavras bonitas (ou feias) de vocês, enfio dentro de mim e nem deixo uma meia dúzia de agradecimentos desajeitados. Às vezes a gente simplesmente não tem nada decente a dizer, mas isso não muda o valor daquilo que vocês deixaram lá. Desculpem, mesmo. Sério. Eu acho um crime, HAHAHA </griffyndor feelings>.

# A playlist do meu last.fm é a maior vergonha da face da terra, fica aí uma dica. Eu não deveria ter criado uma conta, de verdade. Como diz o Ronald Rios, esse é meu MAU GOSTO, guilty pleasure é coisa de otário. Bee Gees, meu povo, e achando bonito, ainda. Fundo do poço e cavando.

# Ir ver bobagem no cinema às vezes é tão bom. E o que era o cara dos smokings delivery? Preciso urgentemente de achar um sujeito daqueles pela rua, ok?

# É foda tentar ajudar quem não quer ser ajudado. Mas é mais foda ainda querer de verdade ajudar e não poder. Porque, sabe, não dá pra tirar uma coisa de dentro da sua cabeça e enfiar na da outra pessoa. Vou achar digno pra caralho o cara que inventar o USB cerebral. Ou não. Não, não vou achar digno, mesmo.

# Aliás, sexta eu fiquei magoada. Eu prefiro dizer danada, com ódio, puta do cu, mas o que aconteceu de verdade foi que eu fiquei magoada pra caralho. Mas eu precisava ficar magoada, pra ir reclamar, ter os olhos abertos e ganhar outra perspectiva.

# Eu tenho os amigos mais fodas da face da terra. Sério. Mesmo que eu escreva milhares de páginas de palavras bonitas, nunca vou conseguir explicar para eles o quão diferentemente maravilhoso cada um deles é. E o legal é que mesmo entendendo tudo errado, eles dão o conselho certo. Isso não é lindo?

# Você não entendeu o que eu quis dizer com auto-centrado. Foi no sentido pejorativo, HAHAHA!

# # Eu não vou mudar. Não nessa parte. Talvez essa seja a única parte boa, então deixa ela quieta, do jeito que está.

# Acho bonito ver você tentando. De verdade. Me deixa alegre de verdade.

# Acho bonito ver você tentando [2]. Mas, sorry, seu tempo acabou. Você teve um milhão de chances e só fez o que de pior poderia fazer delas. Eu não vou voltar, qualquer apelo que pudesse ter comigo foi completamente minado. É triste dizer isso, mas eu não estou nem aí, eu não consigo mais me interessar. Só acho bonito, e muito de longe. Desculpa, mesmo. Não é nem que eu não possa mais, só passou. Sumiu. Foi suplantado. Desculpa.

#
A Vânia conseguiu consertar as minhas unhas e colocá-las todas quadradinhas e do mesmo tamanho, embora elas tenham ficado bem mais curtas. Maldita manicure porca do salão, viu... o crime não compensa. Nunca mais te traio, Vânia, nunca mais.

# Espero que você saiba que eu realmente me preocupo e que se eu não me expresso melhor é porque eu sou uma total inapta para esse tipo de coisa. Às vezes eu queria muito te dar um abraço e dizer que essa merda toda vai passar logo. Mas sei lá, eu não sei fazer isso. Aí eu fico só olhando.
 
 
Hoje eu estou: anxious
Ouvindo: Kiss from a rose - Seal
 
 
 
Shibboleth
24 August 2009 @ 12:19 pm
Eu não gosto desse negócio de aniversário. Não é uma aversão iniludível nem um pavor inexplicável, só não gosto. Não tem apelo nenhum comigo. Não consigo ver o big deal do negócio. Mas o lance engraçado disso é como as pessoas se ofendem com a minha preferência. No meu aniversário, meus amigos ficam revoltadíssimos porque eu não quero sair para comemorar ou porque eu reclamo que passar o dia inteiro atendendo o telefone é um saco (há exceções, há exceções, fique claro). No aniversário deles, quase me arrancam o escalpo porque eu deixei um singelo "Parabéns" no orkut ou porque eu não me dei ao trabalho de mandar embrulhar o presente (olha, não é como se vocês já não soubessem o que eu dou de presente pra todo mundo, né?). Não é isso que eles querem. Querem confete, querem que eu comemore com a mais sincera felicidade o fato de eles terem conseguido enfrentar mais um ano sem pular da marginal, enlouquecer ou cometer assassinato. Então, isso tudo é bem legal, mas eu não vejo motivo para comemorar especificamente no dia em que você nasceu. E agora vem aquele papo clichê de que todos os dias devem ser bem vividos, de que a gente não precisa esperar uma data especial para dizer a alguém o quanto se gosta de alguém ou para se divertir com os amigos. Ou isso ou vocês podem creditar todo o meu nojinho de aniversários aos telefonemas imbecis de pessoas com quem eu deixei de me importar há eras e ao fato de que 98% do meu círculo de amizades está muito longe de saber me dar um presente seriously: se vocês vissem as coisas que já ganhei, me dariam razão! E olhe que me agradar é a coisa mais fácil do mundo.

Essa minha falta de apreço pela comemoração de aniversários se estende a posts de blog. Acho muito bonitinho quem costuma homenagear os amigos assim, só que comigo meio que não funciona, eu não consigo escrever algo do gênero. Mas...



Então. Tem esse cara, o Tiago. Eu o conheci numa comunidade do orkut chamada Sou baka mas sou feliz e acho que isso já poupa um monte de explicações. Eu lembro que, no começo, conversar com ele não era exatamente estimulante. Na verdade, eu tinha horror de ver a janela dele piscando no msn. Sabe aquele sujeitinho esperto demais que está ali pra tirar uma da sua cara e destruir seus sofismas diários? Então, ele era um desses. Ele ainda é um desses, aliás.

Minha memória simplesmente não alcança o ponto em que isso mudou e nós começamos a conversar feito gente. Eu não me lembro de ter ficado esperta, nem de ter parado de sofismar. Mas também não me lembro de ele ter deixado de tirar uma da minha cara sempre que possível, então acho que nada mudou, no final das contas. Também não me lembro de quando nós começamos a fazer mais do que piadas maldosas com deus (*emoticon do trocadilho*) e o mundo e passamos a falar da vida, o universo e tudo mais. Simplesmente não me lembro. E se tem algo que me deram em troca desse maldito transtorno de atenção, foi uma memória fotográfica. Então, o fato de eu não me lembrar é quase que um completo absurdo. O que faz muito sentido. Para mim, pelo menos. Absurdos têm feito sentido freqüentemente nos últimos tempos.

E hoje é aniversário do Tiago, e eu não fiz absolutamente nada do que eu tinha planejado, por um monte de motivos. Estou uber-decepcionada comigo mesma; ele não está nem aí. Então acho que nada mudou, no final das contas. Essa é, provavelmente, a primeira e a última vez que eu vou escrever um post de aniversário para alguém. Primeiras e últimas vezes tem muito a ver com a minha história com este sujeitinho odiável-not. E... hm... feliz aniversário, tudo de bom e todas essas coisas repetitivas que contribuem para o meu asco de escrever esse tipo de mensagem. Eu não preciso falar sobre a pessoa incrível que você é, até porque seu ego já é grande demais pra precisar ser massageado (ui). Também não preciso falar sobre o que eu sinto, você já está até cansado de saber. Só me faça o favor de ficar as well as possible e de continuar. Continuar sempre.

Acho que nada mudou, no final das contas. Espero que continue assim.

Te amo ♥
 
 
Hoje eu estou: crappy
Ouvindo: It's now or never - Elvis Presley
 
 
Shibboleth
19 August 2009 @ 01:19 am
Um dia a gente estava caminhando pela rua e ele me apontou um casal e disse que não queria terminar daquele jeito. Se via que era um casal e se viam as grossas alianças de ouro; mas os dois andavam meio separados, ela um pouco atrás dele, ele se virando de quando em quando para cuspir alguma frase acompanhada de uma expressão desgostosa. Ele parecia furioso, mas não com algo que tivesse acontecido num passado recente. Parecia furioso por estar ali, furioso por estar atado a alguém que não desejava. Ela carregava uma resignação triste, sem conseguir filtrar o rancor que transparecia através das sobrancelhas que se cerravam a cada palavra dele.

Eu não quero que isso aconteça comigo. Não quero ser parte de um casal que não se suporte, que não agüente nem andar de mãos dadas.

Uma das coisas mais bonitas aqui no bairro da Liberdade são os casais de velhinhos. Os orientais levam mesmo a sério esse negócio de casamento. Fico toda boba quando os vejo caminhando por essa ruas tortas, de mãos dadas, uma sacola de verduras, um jornal e um cachorrinho na coleira. As senhoras sempre bem vestidas, cabelos escovados. Seus maridos metidos dentros dos pulôveres cinza-chumbo. E eles vão caminhando devagarinho, falando sobre a planta da varanda que precisa de uma poda, sorrindo um para o outro e trocando aqueles beijos que parecem muito mais de amigos do que de amantes. A vida desses casais deve ter sido realmente boa para eles ainda conseguirem dar as mãos depois de todos esses anos.



E realmente boa não significa necessariamente tranqüila.
 
 
Hoje eu estou: determined
Ouvindo: Space Oddity - David Bowie
 
 
 
 

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